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“«O homem é algo que deve ser ultrapassado», o homem é o que tem de se ultrapassar. (…) o homem…”

“«O homem é algo que deve ser ultrapassado», o homem é o que tem de se ultrapassar. (…) o homem é transposição de limites, que só é homem aquele que os transpõe, quem os transpôs.”

Eudoro de Sousa, Mitologia, 1980, via Grupo de Investigação de Pensamento Português (Universidade de Lisboa)
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“É O que eu me sonhei que eterno dura, É Esse que regressarei”

“É O que eu me sonhei que eterno dura,
É Esse que regressarei”

Fernando Pessoa, “D. Sebastião”, Mensagem, via Grupo de Investigação de Pensamento Português (Universidade de Lisboa)
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“Ah, perante esta única realidade, que é o mistério, Perante esta única realidade terrível – a de…”

Ah, perante esta única realidade, que é o mistério,
Perante esta única realidade terrível – a de haver uma realidade,
Perante este horrível ser que é haver ser,
Perante este abismo de existir um abismo,
Este abismo de a existência de tudo ser um abismo,
… Ser um abismo por simplesmente ser,
Por poder ser, por haver ser!
– Perante isto tudo como tudo o que os homens fazem,
Tudo o que os homens dizem,
Tudo quanto constroem, desfazem ou se constrói ou desfaz através deles,
Se empequena!
Não, não se empequena … se transforma em outra coisa –
Numa só coisa tremenda e negra e impossível,
Uma coisa que está para além dos deuses, de Deus, do Destino –
Aquilo que faz que hoje deuses e Deus e Destino,
Aquilo que faz que haja ser para que possa haver seres,
Aquilo que subsiste através de todas as formas de todas as vidas, abstractas ou concretas,
Eternas ou contingentes,
Verdadeiras ou falsas!
Aquilo que, quando se abrangeu tudo, ainda ficou fora,
Porque quando se abrangeu tudo não se abrangeu explicar porque é um tudo,
Porque há qualquer coisa, porque há qualquer coisa, porque há qualquer coisa!

Minha inteligência tornou-se um coração cheio de pavor,
E é com minhas ideias que tremo, com a minha consciência de mim,
Com a substância essencial do meu ser abstracto
Que sufoco de incompreensível,
Que me esmago de ultratranscendente,
E deste medo, desta angústia, deste perigo do ultra-ser,
Não se pode fugir, não se pode fugir, não se pode fugir!

Cárcere do Ser, não há libertação de ti?
Cárcere de pensar, não há libertação de ti?

(…)

Álvaro de Campos, via Grupo de Investigação de Pensamento Português (Universidade de Lisboa)
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“Na indizível dificuldade de sermos a luz que somos e de vê-la sendo, na experiência de que falo,…”

“Na indizível dificuldade de sermos a luz que somos e de vê-la sendo, na experiência de que falo, sentir-nos-emos uma presença intemporal, eterna, de nós a nós – sentirás como abruptamente, atonitamente, terrivelmente, é como se visses alguém vivendo em ti, uma pessoa que lá estava e não estava, uma realidade estranha e fulgurante, um alguém que não és tu e te habita e vive atrás de tudo quanto o manifesta, oculto atrás dos teus gestos, dos teus pensamentos, disfarçado nisso que tu és e tu e os outros reconhecem”

Vergílio Ferreira, Invocação ao Meu Corpo, via Grupo de Investigação de Pensamento Português (Universidade de Lisboa)
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“A herdada faculdade de fingir criou a pessoa, a figura atrás da qual nos escondemos, – a figura que…”

“A herdada faculdade de fingir criou a pessoa, a figura atrás da qual nos escondemos, – a figura que anda, pelo mundo, em nosso nome”

Teixeira de Pascoaes, Verbo Escuro, via Grupo de Investigação de Pensamento Português (Universidade de Lisboa)
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“O eu limitado, refluindo, se assim se pode dizer, para o seu centro verdadeiro, dissolve-se nalguma…”

“O eu limitado, refluindo, se assim se pode dizer, para o seu centro verdadeiro, dissolve-se nalguma coisa de absoluto, já não individualizado mas ainda ligado ao indivíduo: transição do ser para o não ser, que equivale, quanto cabe na realidade, à plenitude e perfeição do ser”

Antero de Quental, Tendências Gerais da Filosofia na Segunda Metade do Século XIX, via Grupo de Investigação de Pensamento Português (Universidade de Lisboa)
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